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autor: Raí T. Rio
/  categoria:  Vida e Obra
Antônio Frederico de Castro Alves nasceu na fazenda Cabaceiras, a 42 km da vila de Nossa Senhora da Conceição de Curralinho (hoje Castro Alves), no estado da Bahia. no dia 14 de março de 1847.  Perdeu sua mãe em 1859, fato que abalou a família. Mas com seu pai, assim como na escola, encontrou uma atmosfera literária, produzida pelos oiteiros ou saraus, festas de arte, música, poesia e declamação de versos. Aos 17 anos fez as primeiras poesias. No dia 10 de novembro de 1863 - acredita-se - teria recitado os primeiros versos em festa no Ginásio Português. O pai se casou pela segunda vez em 24 de janeiro de 1862 com a viúva Maria Rosário Guimarães. No dia seguinte ao do casamento, o poeta e seu irmão Antônio José partiram para o Recife.
Castro Alves era um belo rapaz, de porte esbelto, tez pálida, grandes olhos vivos, negra e vasta cabeleira, voz possante, dons e maneiras que impressionavam a multidão, impondo-se à admiração dos homens e provocando paixões nas mulheres. Mas não viveu de aparência. Tornou-se um grande nome da literatura brasileira, sendo nosso maior poeta condoreiro, enaltecendo em seus versos os negros e seus sofrimentos, especialmente os causados pelo tráfico negreiro.
Sua atividade poética, começou no dia 17 de maio de 1863, quando publicou, no primeiro número de A Primavera, seu primeiro poema contra a escravidão:  "A Canção do Africano". Neste mesmo ano, manifestou-se a tuberculose, causando a primeira hemoptise em Castro Alves.
Em 1863, conheceu a atriz portuguesa Eugénia Câmara, que se apresentou no Teatro Santa Isabel. Tornou-se amante da atriz no ano de 1866.
Em 1864, seu irmão José Antônio, que sofria de distúrbios mentais desde a morte de sua mãe, suicidou-se em Curralinho. Justamente neste neste ano, o poeta conseguiu, enfim, matricular-se na Faculdade de Direito do Recife, onde já havia sido reprovado. Em outubro, viajou para a Bahia, retornando ao Recife em 18 de março de 1865, acompanhado por Fagundes Varela.  No dia 10 de agosto de 1865, recitou "O Sábio" na Faculdade de Direito. Seu pai morreu a 23 de janeiro de 1866. Data deste ano o término de seu drama "Gonzaga ou a Revolução de Minas", representado na Bahia e depois em São Paulo, no qual conseguiu consagrar as duas grandes causas de sua vocação. No dia 29 de maio, resolveu partir para Salvador, acompanhado de Eugênia. Na estreia de Gonzaga, dia 7 de setembro, no Teatro São João, foi coroado e conduzido em triunfo.
Em janeiro de 1868, embarcou com Eugênia Câmara para o Rio de Janeiro, onde foi recebido por José de Alencar e visitado por Machado de Assis. A imprensa publicou a troca de cartas entre ambos, com grandes elogios ao poeta por parte de Machado. Em março, viajou com Eugênia para São Paulo. Decidira ali - na Faculdade de Direito de São Paulo - continuar seus estudos, e se matriculou no terceiro ano. O poeta continuou a produção intensa dos seus poemas líricos e heroicos, publicados nos jornais ou recitados nas festas literárias.
Em 7 de setembro de 1868, fez a apresentação pública de "Tragédia no Mar", que depois ganharia o nome de "O Navio Negreiro". Desfez sua relação com a atriz Eugênia Câmara ainda em 1868.
Em São Paulo, na tarde de 11 de novembro, resolveu realizar uma caçada na várzea do Brás e feriu o pé com um tiro. Disso resultou longa enfermidade, cirurgias, chegando ao Rio de Janeiro no começo de 1869, para salvar a vida, mas com o martírio de uma amputação. Os cirurgiões e professores da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Andrade Pertence e Mateus de Andrade, amputaram seu membro inferior esquerdo sem qualquer anestesia.
Em fevereiro de 1870, voltou para Curralinho para melhorar a tuberculose que tinha há anos e que se agravara ainda mais. Viveu na fazenda Santa Isabel, em Itaberaba, mas,  em setembro, voltou para Salvador. Ainda leria, em outubro, "A Cachoeira de Paulo Afonso" para um grupo de amigos, e lançou "Espumas Flutuantes". Mas pouco durou. Sua última aparição em púbico foi em 10 de fevereiro de 1871, num recital beneficente. Castro Alves faleceu às três e meia da tarde, no solar da família no Sodré, Salvador, Bahia, em 6 de julho de 1871.
O poeta dos negros publicou apenas uma obra em vida ("Espumantes Flutuantes", em 1870), mas seus escritos póstumos incluem "A Cachoeira de Paulo Afonso" (1876),  "Os Escravos" (1883) e, mais tarde, "Hinos do Equador" (1921). Castro Alves é patrono da cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras.

Obras de Castro Alves:

Poesia:

* Espumas Flutuantes - 1870
* A Cachoeira de Paulo Afonso - 1876
* Os Escravos - 1883
* Tragédia no Mar - 1868
* O Navio Negreiro - 1869
* Hinos do Equador, em edição de suas Obras Completas - 1921

Teatro:

* Gonzaga ou a Revolução de Minas - 1875

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